Releitura Rurouni Kenshin: Vols. 9 a 12 (Raijuuta, Tsubame e Tsukioka)

Depois de um hiato mais longo de que gostaria, voltei com a releitura. Esses volumes contém as histórias extras que antecedem a Saga de Shishio: uma delas foca em Yahiko e outra, em Sanosuke. Como sempre, vou fazer um resumo e depois comento. Spoilers!

O que acontece

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Os sumiços de Yahiko do Dojo Kamiya fazem Kenshin, Kaoru e Sanosuke descobrirem que o menino está trabalhando no Akabeko, o restaurante favorito deles. Lá, Yahiko faz amizade com uma menina, Tsubame, a quem ajuda como e quando pode. Quando descobre que ela está sendo coagida a auxiliar criminosos, vai encará-los e leva uma surra feia. Como quem não quer nada, Yahiko pede orientação a Kenshin sobre enfrentar muitos adversários de uma vez e o espadachim, ciente da situação, lhe ensina uma forma. O menino termina encarando os criminosos outra vez e, dessa vez, aplicando os ensinamentos de Kenshin, vence o líder e ajuda Tsubame a se livrar dele.

Na história seguinte, um espadachim arrogante e forte chamado Raijuuta Isurugi cruza o caminho de Kenshin e cia. e, após tentar dissuadi-lo a se unir a um movimento de revitalização do kenjutsu no país, Raijuuta combate Kenshin. No meio da luta, fere o próprio discípulo, Yutarou, seu grande admirador e um aprendiz de espadachim promissor, e Kenshin se enfurece e o derrota, física e psicologicamente.

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A última história retrata o reencontro de Sanosuke com um ex-amigo do Sekihoutai, a tropa da qual fizera parte durante a Revolução Meiji. Katsuhiro Tsukioka agora vive com um artista recluso, tendo passado os últimos anos remoendo a tragédia do fim do Sekihoutai e planejando sua vingança contra o atual governo. Tsukioka convence Sano a reviver os velhos tempos e atacar o governo com um arsenal de explosivos. Porém Kenshin os descobre e impede o ataque desvairado, trazendo Sano de volta à razão. Tsukioka, depois de uma conversa séria com Sano, decide editar um jornal para denunciar os atos sujos do governo Meiji.

Ao fim do volume 12, há uma antiga história do autor publicada como uma curiosidade. Como não faz parte das sagas de Kenshin, não vou comentar.

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Comentários

As histórias extras de Yahiko e de Sano servem para ilustrar o amadurecimento dos dois, cada um da sua forma e ambas reflexo da presença de Kenshin em suas vidas.

Com a trama de Yahiko, o autor demonstra as motivações do menino. É divertido ver como os demais personagens reagem quando tentam adivinhar para que Yahiko agora quer dinheiro.

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Com a Revolução Meiji, a divisão de classes se tornou um tanto nebulosa (pelo menos abaixo do topo da pirâmide social), mas não foi da noite para o dia que certos costumes, valores e ideias tradicionais foram deixados de lado. E é para ilustrar isso, em parte, que o autor introduz uma nova personagem: Tsubame.

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A família da menina servia a uma família de samurais. A Era Meiji trouxe a derrocada social dos prestigiados guerreiros, mas ainda havia aqueles que os respeitavam ou os tratavam como se ainda detivessem o mesmo status – ou lhes devessem a mesma devoção.

O antagonista dessa história é da família de ex-samurais à qual Tsubame servia; ele coage a menina a espionar o restaurante e suas finanças se valendo da propensão dela a lhe servir. Tsubame descobre que o dinheiro do Akabeko fica guardado na casa do dono e faz cópia das chaves. Apesar de relutante, porque entende que furtar é um crime e tal ato mancharia o nome da família de ex-samurais, Tsubame se submete às grosserias e ameaças e entrega as chaves.

Yahiko presencia tudo isso e se revolta: “Já faz dez anos que a gente está na Era Meiji e você ainda está nessa de servir ao seu senhor?”

Claro que isso atiça o senso de justiça do menino e ele vai brigar com os criminosos. Leva uma baita surra da primeira vez, mas na segunda dá conta do recado ao aplicar os ensinamentos de Kenshin sobre lutar contra vários oponentes ao mesmo tempo.

O andarilho, de olho em tudo o tempo todo, dá uma mãozinha ao menino também (sem ele pedir) ao espantar parte dos criminosos:

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Kenshin, ainda, conversa com Yahiko sobre o peso de suas ações e suas consequências. Lidar com as consequências dos próprios atos e escolhas é das grandes partes do amadurecimento e Kenshin joga a real:

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Kaoru é quem faz Tsubame enxergar melhor a situação e a incentiva a não se submeter demais e a ter um espírito mais forte: “Da próxima vez que vierem com propostas desse tipo, você vai recusar na hora, sem se prender a costumes e tradições já ultrapassadas. Mesmo que a era tenha mudado para uma época de igualdade, não vai adiantar nada se as pessoas não mudarem.”

No fim, Yahiko revela que está trabalhando de modo a juntar dinheiro para comprar uma sakabatou (espada com lâmina invertida, como a de Kenshin), fazendo o andarilho, talvez pela primeira vez, perceber sua real influência no menino.

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* * *

Na segunda e maior história, Kaoru (com Kenshin e Yahiko) vai dar aula no dojo do Sensei Maekawa. Lá, uma visita inesperada surpreende a todos: Raijuuta Isurugi. Ele desafia o sensei a um duelo e é aceito. Apesar de seu desprezo pelo shinai (espada de bambu), Raijuuta pega um emprestado do dojo, pois foi a arma escolhida pelo sensei, e parte para o duelo.

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Logo fica clara a superioridade de Raijuuta – e sua violência desmedida. Antes que ele desfira um golpe mortal no sensei Maekawa, Kenshin intervém. Em defesa do dojo, Kaoru se predispõe a duelar, mas Kenshin toma a frente, reconhecendo o poderio do desafiante. Quando ele desvia da técnica especial de Raijuuta, um golpe que corta o ar e usa o vácuo da espada para atacar, o desafiante, mesmo tendo partido o shinai de Kenshin, vai embora.

No Dojo Kamiya, Kenshin recebe um convite de Raijuuta, que vive na mansão da família de Yutarou, seu discípulo (que arenga com Yahiko a cada oportunidade). É lá que Raijuuta e Kenshin debatem sobre os rumos atuais do kenjutsu.

Raijuuta lidera um movimento que pretende abolir o uso do shinai e estabelecer o seu estilo Shinko como o único reconhecido (um tanto ditatorial, não?) e, afinal, iniciar a “revitalização do kenjutsu”. Nas palavras dele: “Para que o kenjutsu seja forte como nos tempos antigos, onde os espadachins eram temidos como magos e chamados de mestres do vento!”

Ou seja, Make Kenjutsu Great Again. E ele convida Kenshin a unir-se ao movimento.

Kenshin aponta que os estilos antigos de kenjutsu são focados em técnicas de assassinato. Raijuuta diz estar ciente disso e Kenshin invoca seu voto de não matar e recusa, acrescentando que não irá se opor a uma revitalização do kenjutsu, contanto que ele não queira extinguir os novos estilos que pregam a espada para a vida. Raijuuta solta o velho “Ou se une a mim, ou morre” e, eventualmente, os dois duelam a sério.

É nesse duelo que Raijuuta fere acidentalmente Yutarou:

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Yutarou é um aprendiz de espadachim promissor, tendo até feito aulas com Kaoru no meio da história, mas é completamente desprezado por Raijuuta, que só o mantém perto porque a família do menino o financia. Como se não bastasse, o candidato a ditador não demonstra um pingo de remorso por impedir Yutarou de empunhar uma espada com o braço direito pelo resto da vida. Kenshin se enfurece. Mesmo com um braço ferido e sem conseguir se aproximar de Raijuuta por conta da técnica dele, o andarilho sempre tem uma carta na manga (e dá-lhe Hiten Mitsurugi!):

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Então Raijuuta tem um fim bem aquém do que merecia (o próprio autor vai reconhecer isso numa nota). Ele ameaça matar Yahiko, mas não chega a machucá-lo, apesar de provocado pelo próprio menino e por Sanosuke. Raijuuta não tem coragem de tirar a vida do menino porque, na verdade, nunca matou. Ele prega um estilo que ceifa vidas, se faz parecer O Matador, mas não consegue matar. Kenshin dá uma lição de moral que basicamente destrói a moral e a confiança de Raijuuta, ajoelhado e desesperado.

A conclusão dessa história vem com a despedida de Yutarou, que vai embora do Japão com a família. Yahiko, de certa forma afeiçoado ao menino, reage ao vê-lo abatido:

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Isso desperta o espírito de Yutarou e ele promete treinar com o braço esquerdo e jamais abandonar o kenjutsu. E assim a história sobre o futuro das técnicas de espada termina numa nota esperançosa.

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* * *

Tenho pouco a falar sobre a história de Sano. Ele encontra à venda uma ilustração de Capitão Sagara, o líder do Sekihoutai, e vai atrás do artista: um amigo da época da tropa.

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No reencontro, Tsukioka relata como passou os dez anos desde a Revolução Meiji alimentando o rancor contra os monarquistas que traíram o Sekihoutai. A amizade profunda, a injustiça cometida com a tropa e com o homem que mais admirava são sentimentos fortes demais para Sanosuke ignorar, e ele termina sendo convencido a se vingar do governo Meiji perpetrando um ataque com os explosivos feitos por Tsukioka.

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Kenshin descobre tudo e vai impedi-los. Sano, por fim, compreende o que Kenshin realmente defende: a nova era, a paz e as mudanças positivas já conquistadas. Uma ofensiva tão pontual e tresloucada, Sanosuke percebe, é ineficaz e não reflete o que ele realmente deseja.

Suas crenças e motivações ficam claras para Tsukioka quando os dois conversam:

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Essas palavras iluminam Tsukioka e Sano depois fica sabendo que ele deixou de ser artista para editar um jornal que denuncia os podres do governo Meiji. Redirecionando suas energias para uma atividade que mais se aproxima ao verdadeiro objetivo do Sekihoutai, melhorar a vida das pessoas numa nova era de igualdade, Tsukioka se reconcilia consigo mesmo como Sanosuke já fizera (em decorrência do encontro com Kenshin).

* * *

O próximo volume dá início à saga de Shishio, o melhor e mais famoso arco das histórias de Kenshin, e há um lobo à espreita…

Agora vai!

Van

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Autor: Van Derance

Um dia me chamaram de Robert Plant da Terra-média. Tenho vivido para fazer valer o título. ~~~~~ One day someone called me Robert Plant of Middle-Earth. I've been living to earn the title.

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